ASSUM PRETO


DEDICIO E SEU CAVALO

        

Eu tive, na vida, a portunidade de conhecer príncipes europeus herdeiros presuntivos. Governadores, ministros, embaixadores, e grandes empresários. Desde cedo caminhei entre tapetes vermelhos de palácios, entre carros oficiais, entre protocolos e formalidades.

 

Um dia, a vida mudou, e fui trabalhar no garimpo. Convivi entre as feras por dez anos. Homens–cicatrizes. Restos de homens. O garimpo marcou minha vida de uma forma indelével.

 

Quando cansei, fui ser agricultor. Mais dez anos no sertão da Bahia. Rio São Francisco. (Eu gostava de nadar de noite, olhando as estrelas...) Lá conheci vaqueiros, pescadores e Seu Dedicio: Um leão em forma de gente. Ele e seu cavalo branco, que subiam a serra para tombar madeira para ganhar o pão. E alimentar uma família inteira. Contratei Dedicio para trabalhar comigo várias vezes.

 

Dedicio tinha sido até estivador no porto de Santos. Voltou para Sento Sé. Contou-me muitas estórias. Dos garimpos de ametista do Icaibro, e do Caboclo d’água que ele viu dentro do Rio. Ele viu. Acredito que viu. Eu acredito em homens como Seu Dedicio.

 

Uma vez levei um amigo professor de lingüística da UFPE, que foi me visitar, para a casa de Dedicio. Ele nos contou, com tristeza, a agonia da morte de seu cavalo branco.

Na saída, meu amigo estava maravilhado com a estrutura narrativa de Dedicio. Um encanto. Poesia pura. Uma declaração de amor ao animal que tanto lhe ajudara na vida.

 

Nunca mais vi Dedicio. Sei que nunca mais o verei. Mas gostaria de dizer aqui, uma coisa, e soltar nos ventos da internet  - será que eles passam em Sento Sé ?

 

- Seu Dedício, o senhor é um dos homens mais importantes que eu conheci.

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 10h40
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