ASSUM PRETO


SOBRE COISAS PERIGOSAS DA VIDA

                                         

    

A Agricultura me ensinou muita coisa. A maioria delas, pela via do sofrimento.

 

No ano que aprendi a plantar melão, a produção foi estrondosa, mas o preço mal pagava a colheita. No ano seguinte, a produção se repetiu e o preço compensou. Comprei um carro novo. Fiquei entusiasmado e plantei de novo. Choveu. Melão detesta chuva.Tive um prejuízo tão grande que precisei vender o carro. Passei a andar a pé. Descia do ônibus que vinha da cidade e caminhava quatro quilômetros, muitas vezes à noite, até chegar na fazenda.

 

A escuridão das noites sem lua no sertão é indescritível. Ninguém enxerga além de um metro à frente. Lembrava-me do menino que eu havia sido um dia, e que tinha medo do escuro do quarto.

 

Muitas vezes, para matar a solidão da caminhada, eu começava a cantar.

 

Luiz Vieira, compositor natural de Caruaru, tem um clássico da MPB. Uma toada enfeitiçada de bela chamada “Menino de Braçanã”. Em poucas palavras, Vieira fala da infância e da preocupação de um menino em obedecer as recomendações da mãe e voltar pra casa cedo, sem medo do escuro, pois tem fé.

 

Eu mesmo prometi a minha mãe nunca mais plantar melão.

 

 

É tarde, eu já vou indo

Preciso ir embora - até amanhã

Mamãe quando eu saí disse

Filhinho não demora em Braçanã

 

Se eu demoro mamãezinha Tá a me esperar

Pra me castigar

Tá doido moço

Num faço isso, não

Vou-me embora, vou sem medo dessa escuridão

Quem anda com Deus

Não tem medo de assombração

e eu ando com Jesus Cristo

No meu coração

 

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 08h34
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