MULHERES

Tudo o que sei de mais importante sobre as mulheres, aprendi com minhas irmãs. Desde pequeno, percebia a diferença de mundos, de gostos, de prioridades. Eram mais frágeis do que eu – apenas na força física, mas sabiam como conseguir o que desejavam de outras maneiras. Se brigávamos e elas choravam, eu ficava atônito, sem saber o que fazer. Claro que eu não via a menor graça em fazer comidinhas, trocar roupa de bonecas. Mas entendi todo aquele ensaio quando foram se tornando mulheres. E vaidosas e femininas. E quando casaram e tiveram filhos. Aprendi, por exemplo, que por mais belas que sejam, ficam chatas quando menstruam e acordam sempre com o cabelo em desalinho e o rosto amarrotado. Que levam horas para se arrumar e que adoram ser chamadas de bonitas. A mídia soube fazer da mulher um belíssimo produto de consumo, ou ferramenta para promoção de vendas: coxas, púbis, seios, nádegas, expressões sensuais... às vezes penso que isso contribuiu para a infelicidade de muita gente – essa fantasia, essa deturpação da realidade. Eu mesmo levei algum tempo para ver uma mulher exatamente como eu via as minhas irmãs: como meninas.
Escrito por Luis Manoel Siqueira às 06h55
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