COMPRANDO TURMALINAS
Eu fui a Araçuaí comprar turmalinas. No caminho passei por Pedra Azul. Nas porteiras das pequenas fazendas, via baldes de leite à espera do caminhão da usina. Perguntei se ninguém os roubava. Não, responderam-me. Achei curioso. A região mais pobre de Minas Gerais, na sua porção Norte, já considerada como parte do Nordeste. Na cidade havia um doente mental. Todo mundo gostava dele. Tomava refrigerante, davam-lhe dinheiro, lanches. Era por todos protegido. Muito tempo depois, no Recife, escutando a Rádio Universitária, ouvi um disco gravado por Frei Chico, um religioso holandês que viveu no Vale do Jequitinhonha, onde organizou um coral de crianças para cantar as canções tradicionais da região. Um disco muito famoso. Uma preciosidade.  Anos depois, morando nas margens do São Francisco, na Bahia, apresentaram-me a música de Paulinho Pedra Azul, um filho de Pedra Azul. Fiquei encantado com a força e delicadeza de suas canções.  Moro numa cidade chamada Campina Grande que se ufana de ter “O melhor São João do Mundo”. As bandas de forró eletrônico que tocam no São João são terríveis. As rádios da cidade possuem programas musicais de baixíssima qualidade. Eu sinto saudades do tempo em que comprava turmalinas.
Escrito por Luis Manoel Siqueira às 09h40
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