ASSUM PRETO


PEDRAS PRECIOSAS

                       

 

                                

 

 

Entrei com a minha mãe dentro da casa arruinada. A lama cobria tudo. Ela chorava. Enchente do Recife de 1975. Perdemos geladeira, roupas, fogão, móveis, livros e brinquedos. Tudo coberto pela lama e água do Rio Capibaribe que invadiu nossa casa e marcou na parede uma altura de um metro e quinze centímetros.

 

 

Entre as coisas difíceis que eu aprendi na vida, classificar um lote de esmeraldas foi uma delas. Olhar a pedra bruta e escolher a melhor forma. aperfeiçoá-la na lapidação, escolher o lado da mesa. Fazer isso com o lote inteiro bruto. Depois, concluída a lapidação, classificá-las por cor, brilho e inclusões. Depois o valor de venda em grosso e no atacado.

 

Uma coisa sempre me incomodou: por que elas valem tanto?

Para que mesmo serve uma pedra preciosa?

 

Retorno a minha casa flagelada. Sigo a minha mãe até o seu quarto. Ela abre uma gaveta. Retira um álbum de fotografias totalmente destruído e apagado – seu maior tesouro.



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 09h11
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