ASSUM PRETO


O MELHOR DO ASSUM PRETO

 

O MELHOR DO ASSUM PRETO DE 2005 A 2007



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 11h17
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O FILHO DO HOMEM ARANHA

Riquelme Wesley dos Santos brincava com a sua fantasia de homem-aranha quando a casa ao lado pegou fogo. Uma mulher chorava. Havia um bebê lá dentro.

 

Riquelme disse a mulher para ficar calma e entrou na casa em chamas, tirou o bebê de dentro e saiu pulando entre as labaredas, entregando a criança nos braços da mãe.

 

Aconteceu no interior de Santa Catarina, no inicio de novembro deste ano. Riquelme tem apenas cinco anos de idade. Os jornalistas chegaram e lhe perguntaram como fizera. Ele explicou tudo e acrescentou:

 

- Eu sou filho do Homem – Aranha !

 

A façanha de Riquelme foi, para mim, a melhor noticia da imprensa no ano de 2007. Eu sei que brevemente a mídia não falará mais nele. Há escândalos demais para noticiar. Desenganos nacionais, desencantos, balas perdidas no meio das cidades, abandonos seculares...

 

Todo final de ano uma antiga magia surge das cinzas das lapinhas dos anos passados. No dia 25 de dezembro o Filho do Homem – Aranha renasce numa manjedoura distante, e a esperança de salvação se renova no coração de alguns homens.

 

Tudo o que eu peço ao Homem – Aranha é que renove em mim também esse desejo de ser amigo do seu Filho, esse seu Filho que salva as pessoas de uma vida banal, medíocre, vazia, sem amor e sem graça.

 

Feliz Natal, Riquelme. Seja muito feliz. Seja um homem de bem. Não há maior bravura na vida do que ser um homem bom.

 

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 20h46
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CLAUDIA DO MAJESTIC

Eu tenho grande admiração por mulheres que sabem a arte de envelhecer. A beleza, dizem, sabe ser fugaz e cruel com as mulheres. Mas existem aquelas que se iluminam a vida inteira. Conheci várias senhoras cuja beleza e encanto feminino nunca as abandonaram.

 

Obviamente que ninguém vive para sempre com a mesma pele e forma da juventude. Mas existe um certo magnetismo pessoal, difícil de explicar em palavras, que acompanham algumas mulheres pelo resto de suas vidas.

 

Viajei muito e ainda viajo pelo interior do nordeste, e lembro-me que há muitos anos atrás, vi uma grande fotografia de Claudia Cardinale na parede do hotel MAJESTIC de Arcoverde. Eu era menino e nunca esqueci aquele belo retrato.

 

Há pouco tempo, trabalhando como consultor de uma organização, voltei a Arcoverde e fiquei algumas semanas hospedado no velho e mofado MAJESTIC. Procurei o retrato de minha musa. Não estava mais na parede do restaurante desativado.

 

Diz um velho ditado britânico que, um vazio inesperado é duas vezes mais vazio.

 

Procurei por uma foto de Claudia na internet e achei. Continua bela.

 

O MAJESTIC envelheceu primeiro.

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 13h43
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O REFRÃO DO BAR SAVOY

 

O meu primeiro copo de cerveja foi no Bar Savoy, levado pelo meu avô, servido por Careca, o garçom que servia o poeta Carlos Pena Filho. Meu avô me mostrou a placa de bronze com o trecho do famoso poema na parede.

 

Mais de trinta anos depois voltei ao Bar Savoy para assistir ao impeachment de Fernando Collor. O bar, lotado de gente. A Avenida Guararapes cheia de estudantes de caras pintadas.

 

“Na Avenida Guararapes o Recife vai marchando

O Bairro de Santo Antonio tanto se foi transformando

Que agora as cinco da tarde mais se assemelha a um festim

Nas mesas do Bar Savoy, o refrão tem sido assim:”

 

Eu levava uma namorada a tira-colo. Uma morena que sorria e segurava a minha mão. O clima na avenida era de festa. De expectativa.  De alegria.

 

“Ah, se a gente pudesse, fazer o que tem vontade

Espiar o banho de uma

A outra amar pela metade

E daquela que é mais bela,

Quebrar a rija vaidade”

 

Cada voto dos deputados foi acompanhado com aplausos ou com vaia. E quando enfim o último voto pela cassação foi dado, o bar inteiro subiu em cima das cadeiras e cantou o hino nacional. Do lado de fora, as pessoas se beijavam, gritavam e agitavam bandeiras.

 

“Mas como a gente não pode, fazer o que tem vontade

O jeito é mudar de vida, num diabólico festim

Por isso no Bar Savoy o refrão é sempre assim:”

 

O meu avô morreu. O namoro acabou. O Bar Savoy não mais existe. O “companheiro” Fernando Collor hoje em dia faz parte da base aliada do governo. Os Caras – Pintadas lavaram a cara. E as mãos...

 

“São trinta copos de chope, são trinta homens sentados,

Trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustrados!”

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 19h30
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LAS RONDAS & E EL DAÑO

(Graciela Naranjo)

 

O coronel abriu os olhos na cama armada no copiar. O enfermeiro negro examinou o segundo tubo de soro pingando lentamente. De um prédio vizinho ouvia-se o barulho de uma festa. Acordes de uma musica. Um tango.

 

- Escuta, Ignácio ?

- Sim, meu coronel.

- Peça que aumentem o volume !

- Não posso ! Disse o enfermeiro.

 

O coronel moveu o rosto lentamente.

 

- Eu assisti metade desse filme. Um homem chega diante da vitrine de um restaurante morto de fome. Entra, pede comida. Depois, quando chega a conta, ele avisa que não tem dinheiro. Mas pode saldar a dívida tocando piano. O gerente aceita. Então ele toca esta canção. Então faltou energia no cinema. Não vi o final do filme. Diga-me, como termina, Ignácio ?

 

- Não sei, meu coronel.

- Peça que aumentem o som !

- Não posso !

 

O soro pinga. O velho moribundo respira fundo. O negro chega junto da grade da varanda, escuta a canção e canta:

 

- “Dile que la quiero

Dile que me muero

de tanto esperar

que vuelva ya

que las rondas no son buenas

que hacen daño, que dan penas

y que acaban por llorar “

 

Uma mulher vestida num roupão aparece na sala.

 

- Ignácio, como está papai ?

- Está acordando, dona Graziela.

- Ele reclama de alguma coisa ?

- De uma falta de luz...

 

         

 

                                             (Luis Manoel Siqueira – FAREWELL ACAJU)

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 14h13
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MAIS OU MENOS ASSIM

Funciona mais ou menos assim:

 

O candidato a prefeito consegue dinheiro com empresários para comprar votos na campanha. Depois emprega a família dele e os amigos na prefeitura. Compra vereadores. Ajuda a eleger deputados que, por sua vez o ajudam financeiramente a continuar no poder.

 

Funciona mais ou menos assim:

 

Escola multiseriada. Uma coitada que chamam de professora , mal paga e mal capacitada, dá aulas a várias crianças de idades diferentes, todas ao mesmo tempo, numa mesma salinha com moveis quebrados e insuficientes.

 

Funciona mais ou menos assim:

 

Homens encapuzados param o ônibus, e com armas pesadas nas mãos fazem todos descer. Ficam todos nus, de noite, no meio da pista, homens mulheres e crianças. As malas são jogadas em cima de uma caminhonete que depois leva tudo no meio da noite.

 

Funciona mais ou menos assim:

 

O açude tem água cheia de lodo. No açude lavam roupa, bebem animais que também urinam e defecam. A água do açude serve para dar banho nas crianças e também para cozinhar e beber.

 

A transposição do Rio São Francisco e a absolvição do presidente do Senado passam longe disso tudo. É mais ou menos assim que funciona.

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 05h20
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CARTA AOS MENINOS

                            

 

Meu menino”. Era assim que ela também me chamava. Dava-me o seio. Banhos.

Apanhava-me de noite, perdido no corredor, com medo de monstros do pesadelo.

Para minha mãe ainda sou um menino. Para sempre.

 

Minhas irmãs e suas panelinhas, bonecas, e depois cremes,batons, vestidos, brincos.

“Menino,deixe de ser chato”. “Esse menino diz cada bobagem”... Ainda hoje a mais nova me dá ordens: “Ô menino, você parece um pato quando toma banho: molha o banheiro todinho!”

 

Berço primeiro, o ventre delas. Nos seios, o primeiro alimento. Nos seios o prazer de apanhá-los nas conchas das mãos. Salomão em seus Cantares foi poeta maior. No corpo, o eterno objeto de desejo, volúpia, necessidade, abrigo, refugio.

 

Amigos. Quando vocês chegarem até uma delas, e ouvirem lhes chamando de “Menino”,

Não resistam. Nem reclamem. Estendam a mão e se entreguem, em paz.

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 07h55
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A RUA DAS ILUSÕES PERDIDAS

Um livro me caiu nas mãos uma vez. Uma pequena novela traduzida para o português como “A RUA DAS ILUSÕES PERDIDAS” (CANNERY ROW) de John Steinbeck. Entrou para a lista dos meus dez preferidos.

 

O personagem principal, Doc, é um solitário biólogo marinho que vive num pequeno laboratório, na costa oeste do Pacifico, Monterey,durante a depressão de 30, coletando espécies para vender para os colégios e institutos de pesquisa.

 

Doc era querido por toda a vila, e recebia no laboratório, a visita de pescadores de sardinhas, prostitutas, vagabundos e escritores, onde sempre fazia festas, ouvia música e discutia filosofia. Steinbeck o descrevia assim:

 

 Doc poderia escutar qualquer coisa sem sentido e transformá-la em sabedoria. A sua mente não tinha horizontes e a simpatia não possuía limites.”

 

A internet me revelou um fato curioso. Doc existiu. O laboratório também. Chamava-se Ed Rickets e era um grande amigo de Steinbeck. Mais: Rickets foi um brilhante biólogo ambiental num tempo em que ninguém falava em meio ambiente. Escreveu um livro chamado “ENTRE AS MARÉS DO PACÍFICO” que virou um clássico da literatura científica mundial.Um livro considerado seminal.

 

         (ED RICKETS)

 

Rickets morreu num trágico acidente, quando um trem bateu no seu carro.

 

Steinbeck ganhou o Nobel de literatura. Cannery Row é sua obra prima. Poucos livros me comoveram tanto. O final é surpreendente e simplesmente encantador.

 

Quando vi sua foto na internet, achei curiosamente parecido com a imagem que eu fazia de Doc quando li o livro. Os seus biógrafos todos dizem que hoje em dia é praticamente impossível separar o personagem de Cannery Row, do homem que ele realmente foi.

 

     

                                                           (ED RICKETS)

 

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 07h28
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SERTANEJO DE STRASBOURG

 

 

Certa tarde, entrou na minha loja um senhor, também geólogo, que colecionava pedras preciosas. Cientista de renome na França, trabalhava para um instituto do governo francês e concluía um livro sobre a qualidade das águas dos açudes do nordeste do Brasil.

 

Havia morado no Ceará, e estava retornando à França. A família tinha ido primeiro. Estava triste, pois me dizia que já se sentia “Um sertaneje...”, pois adorava o semi-árido brasileiro, e agora iria embora de vez.

 

Ficamos amigos. Ele então me contou a estória de um vira-latas que levou para a França. Chamava-se “Cachaça”, salvo engano.

 

Esse cachorrinho foi morar em Strasbourg, e quando viu a neve pela primeira vez, pirou. Cachaça era louco pela neve e pelo frio, apesar de ser um legítimo vira-latas nordestino. Corria, pulava, rolava pelo chão, para a surpresa de seus donos franceses.

 

Quando Cachaça morreu, a tristeza na família foi geral. Enterraram-no no quintal da casa, com direito a uma cruz de madeira. Vira-latas, nordestino, “sertaneje” e cristão !

 

A última vez que falei com Jean Claude, ele estava muito abatido. Sua esposa havia falecido...

 

O seu trabalho virou parte de um livro. Um livro cheio de ricas sugestões para um nordeste que vive eternamente cheio de problemas, mas que sempre soube encantar estrangeiros vários, pela força telúrica de seus espinhos e pelo sol que a tudo incendeia e ilumina.

 

 

                



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 18h51
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ROMANCE

Pedro amava Ignêz que amava Pedro. Mas o pai de Pedro não aceitava o casamento.Então o pai de Pedro mandou matar Ignêz. Ela foi estrangulada. A tristeza dele foi tanta que, quando o pai morreu, mandou que retirassem o caixão dela da sepultura e mandou que o levassem para a Igreja para se casar com ele.

 

No caminho, o povo na rua assistia o caixão passar e dizia:

 

“Agora é tarde, Ignêz é morta !”

 

Ainda hoje repetimos esta frase, quando algo que desejávamos torna-se tempestivamente impossível.

 

A estória aconteceu. Portugal medieval. Dom Pedro I, Dom Afonso IV e a bela Ignêz de Castro, dama do reino de Castela. Ignêz, a rainha coroada depois de morta. Seus assassinos foram vingados depois. Dom Pedro mandou tirar seus corações vivos, na sua frente.

 

O túmulo dos dois amantes, uma das mais belas obras de escultura gótica, ainda existe em Coimbra. E nunca um amor foi tão cantado, em língua portuguesa, como o deles. Até Camões incluiu a estória nos Lusíadas.

 

Hoje reconheço que o fim foi anterior. O fim aconteceu bem antes do que selamos como tal. Não foi o tirar das alianças. Não foi o beijo na testa. Não foi a porta do elevador se fechando nem a última conversa pelo telefone. A nossa verdadeira despedida se deu na rodoviária. No ônibus que partiu para o sertão e que me levava. O ônibus que me levava, deixava para trás uma mulher que me acenava, sorrindo, lamentando a partida, mas tendo no coração a esperança de um retorno.

 

- Ignêz, eu nunca mais voltei. Arrancaram-me o coração ainda vivo.

 

 

                          

                                               (Tumulo de Ignêz de Castro em Coimbra)



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 11h47
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ROGAI POR NÓS

                           

Mikhail Bakhtin, filosofo russo, estudioso de literatura e da linguagem. Criador da teoria da CARNAVALIZAÇÃO.

A Teoria da Carnavalização é composta por quatro elementos:  a inversão, excentricidade,familiarização e profanação. Sendo a principal delas a Profanação.

Assim, as restrições,leis e proibições, que sustentam o sistema e a ordem da vida comum, revogam-se durante o carnaval.

 “revogam-se, antes de tudo, o sistema hierárquico de todas as formas conexas de medo, reverência, devoção, etiqueta etc”.

Brasil: terra de carnaval eterno. Terra de sucessão de erros. Terra de desigualdades várias. Terra de macunaímas autofágicos, do canibalismo de valores, de princípios.

Brasil: Um grande buraco no metrô que engole políticos, um menino arrastado num carro alegórico por bandidos, até a morte. Um buraco que engole homens sérios e honestos, junto com um turbilhão de trios elétricos, confetes e serpentinas.

- A Benção, São Bakhtin !

 

 

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 11h49
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DEDICIO E SEU CAVALO

        

Eu tive, na vida, a portunidade de conhecer príncipes europeus herdeiros presuntivos. Governadores, ministros, embaixadores, e grandes empresários. Desde cedo caminhei entre tapetes vermelhos de palácios, entre carros oficiais, entre protocolos e formalidades.

 

Um dia, a vida mudou, e fui trabalhar no garimpo. Convivi entre as feras por dez anos. Homens–cicatrizes. Restos de homens. O garimpo marcou minha vida de uma forma indelével.

 

Quando cansei, fui ser agricultor. Mais dez anos no sertão da Bahia. Rio São Francisco. (Eu gostava de nadar de noite, olhando as estrelas...) Lá conheci vaqueiros, pescadores e Seu Dedicio: Um leão em forma de gente. Ele e seu cavalo branco, que subiam a serra para tombar madeira para ganhar o pão. E alimentar uma família inteira. Contratei Dedicio para trabalhar comigo várias vezes.

 

Dedicio tinha sido até estivador no porto de Santos. Voltou para Sento Sé. Contou-me muitas estórias. Dos garimpos de ametista do Icaibro, e do Caboclo d’água que ele viu dentro do Rio. Ele viu. Acredito que viu. Eu acredito em homens como Seu Dedicio.

 

Uma vez levei um amigo professor de lingüística da UFPE, que foi me visitar, para a casa de Dedicio. Ele nos contou, com tristeza, a agonia da morte de seu cavalo branco.

Na saída, meu amigo estava maravilhado com a estrutura narrativa de Dedicio. Um encanto. Poesia pura. Uma declaração de amor ao animal que tanto lhe ajudara na vida.

 

Nunca mais vi Dedicio. Sei que nunca mais o verei. Mas gostaria de dizer aqui, uma coisa, e soltar nos ventos da internet  - será que eles passam em Sento Sé ?

 

- Seu Dedício, o senhor é um dos homens mais importantes que eu conheci.

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 10h40
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VERÔNICA, A PRIMAVERA CHEGOU !

                

Alemanha, década de 20. Seis rapazes cantores explodiram de sucesso na Europa: COMEDIAN HARMONISTS. Primeiro conjunto pop do mundo. “Verônica, a primavera chegou”- era uma de suas canções. Alguém se lembra? Alguém conhece ?

 

Então veio o nazismo. Três deles eram judeus. E Goebbels, o ministro de Hittler, os proibiu de cantar juntos. O grupo se dividiu para sempre.

 

Existe filme sobre eles. Uma peça musical na Broadway.

 

Efêmero é o sucesso. A vida. Quem quiser que se iluda. Ela passa rápido, Verônica, assim, como todas as primaveras.

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 07h50
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E QUANDO A VELHICE CHEGAR ?

E quando a velhice chegar, e rugas, dores e pesares marcarem nossos corpos ?

 

E quando não mais houver prazer de animais em cio, carícias em pele de seda, perfumes da juventude, e a nossa conversa for uma eterna repetição de estórias, reclamações e saudades ?

 

Guardarei comigo, muito mais do que o mapa decorado da tua geografia:

 

A lembrança de uma tarde caminhando pela estrada - a flor do campo que colhi e prendi nos teus cabelos.

 

                                                           (Cintia N. Rodriguez)

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 08h54
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QUANDO OS ANJOS ME PERGUNTAREM

 

 

Direi que lembro acordando de noite e velando um sono de paz. Cabelo em desalinho no travesseiro branco. Respiração leve. Perfume de jasmim no lençol e no corpo saciado. 

 

Da alegria secreta de tê-la dormindo ao meu lado, e da certeza de colher um ramalhete de sorrisos quando viesse o sol.

 

Quando os anjos me perguntarem do que me lembro, direi que lembro das noites que dormi junto das mulheres que amei.


                            

                                                                                                                                                         (Tela de Elias Levi)

 



Escrito por Luis Manoel Siqueira às 19h11
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